
Sr. Ladrão!
Gostaria de saber quem lhe deu o direito de me agredir... quem lhe passou autorização, pra roubar a minha bolsa, me assustar e virar minha vida de cabeça pra baixo?
O Sr. não sabe, mas antes da sua abordagem catastrófica, eu vivia bem. Nada de purpurina. Amor ou paixão? Nem pensar. Meu desejo estava dormitando, mas eu vivia em paz!
Levava minha vidinha, na calma e na tranqüilidade antes do Sr. me interpelar e tirar o meu sossego. E digo mais, estava bem, apesar dos pesares.
Será que o Sr. tem consciência do trabalho que dá, refazer a vida depois de um roubo destes, Sr. Ladrão? Responda se puder e se sua alma permitir, por que eu, hein?
Tá certo! Fui um alvo fácil. Parece que a vida toda estive plantada naquela esquina só esperando o Sr. aparecer pra me roubar. Mas precisava levar tão a sério o meu destino?
Nem a proximidade do final do mês Sr. perdoou... me fez chorar e posso imaginar um sorriso no seu rosto, de pura satisfação. Credo!
Existem ladrões e ladrões e nisso o Sr. tem que concordar comigo. Alguns erram e pedem perdão. Outros, se recolhem e nem pensam em roubar. Já o Sr....
Acorde Sr. Ladrão!
Por sua causa, vou passar o maior tempão sem identidade, percebeu? Não sei quem sou, não respondo pelo meu nome e desconheço quem são meus pais. E tudo por sua causa! Por que eu e a minha bolsa?
Por que o Sr. não passou batido, ignorando aquela desavisada colada na esquina, dando o maior “mole”? Por que não fez que não me viu?
Só posso pensar numa única razão: o Sr. queria a minha bolsa e tudo que havia nela, não? Sabia que o conteúdo da bolsa rara e cara, era único, se é que o Sr. me entende...
Agora, o que está feito, está feito! O Sr. está com o que é meu. Vai devolver ou ficar por aí, desfilando bolsa de mulher? Tenha piedade...
Acho que estou no meu inferno astral...


.jpg)
