
Como foi fácil...
Difícil, é seguir vivendo depois do mal feito!
Absurdamente fácil dizer: “Acabou. Não dá mais. Nós, não podemos “ser” mais!”
Quem disse? Quem falou?
Saiba que eu ainda tinha vidas e mais vidas, de uma ávida reserva pra continuar driblando um destino jurado de morte!
Estava escrito? Por quem?
Quem se atreveu a escrever os descaminhos da minha história?
Se a vida é minha – e, ela é!! – eu deveria determinar começos e finais. Eu deveria escolher a hora certa de sair de cena e não, ser empurrada na marra para a coxia, enquanto as cortinas nem estavam baixando ainda.
Sei que falei mil vezes em terminar. Sei também, que foram minhas as palavras “Basta! Chega! Não posso mais!”
Mas, que hora infame pra bancar o bom menino, não?
Te admirava pela firmeza e certeza das coisas. Em ti, ninguém colocava cabresto e isso me chegava como um bom perfume francês. Tua força, me encantava e agora, talvez pra me fazer desencantar de vez, resolves ser obediente. Justo quando não era a melhor hora.
Pergunto-me sinceramente, se um dia eu encontraria a hora certa pra dizer adeus. Receio que não...
Uma coisa é dizer e, com raiva a gente diz tudo. A outra tergiversa ao extremo, é ouvir de outrem. E para piorar um pouco as coisas, se é que isso ainda se faz possível: estavas calmo!
Uma calma de certeza. Tranqüilidade de quem está fazendo o pior, convicto de que é o melhor a ser feito. Não te ouvi gaguejar... fraquejar. Tuas mãos não tremeram, tua voz não embargou.
Estavas calmo e... frio!
Eu, em contrapartida, humilhei-me ao máximo.
Chorei sem moderação e como um bêbado no limite entre a razão e o coma, implorei a tua volta. Te pedi pra ficar um pouco mais comigo...
E quando levantei os olhos, pude ver tuas costas eretas. Nem nesta hora, te vi vergado ou caído. Te olhei partindo bem... como alguém que cerra uma porta entreaberta, por onde entrava um ventinho incômodo.
Voltei para casa, querendo deixar o mundo do lado de fora da porta. Olhei meu rosto no espelho e não reconheci aquela mulher.
Não sei quem ela é.
E não gosto dela... como tu também não gostarias.








